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Poliacordes e
Aberturas de Estrutura Superior
O poliacorde é um tipo de abertura (ou voicing) cuja base é
tocar dois acordes diferentes ao mesmo tempo, como por exemplo um
na mão esquerda e um na mão direita no piano. A
relação entre os dois acordes determina a qualidade
do acorde resultante. Essas aberturas são sempre para duas
mãos no piano, ou aberturas de cinco ou seis notas no
violão. Elas produzem um som muito rico e complexo, se
comparadas às aberturas apresentadas até aqui.
O estilo mais simples da abertura do tipo poliacorde é
tocar duas tríades; por exemplo, uma tríade
Dó Maior na mão esquerda do piano, e uma
tríade Ré Maior na mão direita. Isso
terá como notação D/C. Essa
notação tem mais de um significado, já que
ela geralmente é interpretada como querendo dizer uma
tríade de Ré sobre uma nota Dó no baixo; nem
sempre fica claro quando uma abertura poliacorde é
desejada. Os poliacordes raramente são pedidos
explicitamente na música escrita, por isso não
existe maneira padrão de grafá-los. Geralmente
você precisa descobrir suas próprias oportunidades
para tocar aberturas do tipo poliacorde.
Se você pegar todas as notas nessa abertura D/C e
enfileirá-las, verá que isso descreve ou uma escala
Dó Lídia ou uma escala Dó Lídia
Dominante. Por isso, essa abertura pode ser usada sobre qualquer
acorde para os quais essas escalas sejam apropriadas. Se
você tentar outras tríades sobre uma tríade
Dó Maior, vai descobrir várias
combinações que soam boas e descrevem escalas bem
conhecidas. Entretanto, muitas dessas combinações
envolvem notas repetidas, que podem ser evitadas conforme
descrito abaixo. Entre os poliacordes que não envolvem
notas repetidas estão Gb/C, que produz uma escala
Dó Diminuta Semitom-Tom, a Bb/C, que gera uma escala
Dó Mixolídia, a Dm/C, que gera uma escala Dó
Maior ou Dó Mixolídia, a Ebm/C, que gera uma escala
Dó Diminuta ST, a F#m/C, que também produz uma
escala Dó Diminuta, e a Bm/C, que gera uma escala
Dó Lídia. Esses poliacordes podem ser usados como
aberturas para quaisquer acordes que se encaixem nas respectivas
escalas.
Você pode ter observado que Db/C, Abm/C, Bbm/C, e B/C
também não envolvem notas repetidas e soam muito
interessantes, embora elas não descrevam obviamente
nenhuma escala padrão. Não existem regras sobre
quando essas combinações de acordes podem ser
tocadas como aberturas. Quando seu ouvido fica acostumado com as
nuanças e dissonâncias particulares de cada uma,
você pode encontrar situações em que
poderá usá-las. Por exemplo, o último
poliacorde listado, B/C, soa bem quando usado como um substituto
para o Cmaj7, particularmente no contexto de uma
progressão ii-V-I, e especialmente no final de uma
música. Você pode resolvê-la num abertura
normal de Cmaj7 se quiser.
Você pode montar poliacordes com uma tríade menor
embaixo. Db/Cm produz uma escala Dó Frígia; F/Cm
gera uma escala Dó Dórica; Fm/Cm produz uma escala
Dó Menor; A/Cm produz uma escala diminuta ST; Bb/Cm produz
uma escala Dó Dórica; e Bbm/Cm produz uma escala
Dó Frígia. Além disso, D/Cm gera uma escala
interessante com sonoridade de blues.
Eu mencionei antes o desejo de evitar notas repetidas. Uma
maneira de montar poliacordes que evita notas repetidas é
substituir a tríade de baixo com, ou a terça e a
sétima, ou a fundamental e a sétima, ou a
fundamental e a terça de um acorde dominante. Aberturas
montadas dessa maneira também são chamadas de
acordes de estrutura superior. Elas sempre implicam algum tipo de
acorde dominante.
Por exemplo, há várias estruturas superiores de
C7. Uma tríade Dbm sobre "Dó, Si Bemol" gera um
acorde C7b9b5. Uma tríade D sobre "Mi, Si Bemol" gera um
acorde C7#11. Uma tríade Eb sobre "Dó, Mi" gera um
acorde C7#9. Uma tríade F# sobre "Dó, Mi" gera um
acorde C7b9b5. Uma tríade F#m sobre "Mi, Si Bemol" gera um
acorde C7b9b5. Uma tríade Ab sobre "Mi, Si Bemol" gera um
acorde C7#9#5. Uma tríade A sobre "Dó, Si Bemol"
gera um acorde C7b9.
Você vai notar que precisa de muita prática para
se tornar familiarizado o bastante com essas aberturas a ponto de
poder tocá-las no ato. Talvez seja preferível
escolher algumas músicas e planejar com antecedência
onde você usará essas aberturas. O esforço
bem que vale a pena. A riqueza e variedade dessas aberturas podem
adicionar muito ao seu vocabulário harmônico.
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