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Uma Introdução à Improvisação no Jazz, de Marc Sabatella - Tradução de Cláudio Brandt

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©2007

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Baixo

A função do baixo numa seção rítmica tradicional é um tanto diferente daquela de um instrumento harmônico. Do mesmo modo que o pianista, um baixista precisa normalmente delinear as mudanças de acordes, mas o baixo geralmente enfatiza as fundamentais, terças e quintas, em vez das extensões ou alterações. Nas formas tradicionais do jazz, o baixista também tem um papel muito importante como o responsável pela marcação do tempo; tanto quando o baterista, e talvez até mais do que ele. É por isso que os baixistas com tanta frequência tocam linhas de baixo que consistem quase que exclusivamente de semínimas ou ritmos que enfatizam fortemente a marcação do tempo.

Nesse aspecto, aprender a tocar linhas de baixo é geralmente mais fácil do que aprender a solar ou a tocar aberturas de acordes. Você não precisa se preocupar tanto em relação a que ritmos tocar, e suas escolhas de notas também são mais limitadas. Quando você ouve grandes baixistas, como Ray Brown ou Paul Chambers, observa que uma grande parte do que eles tocam são semínimas e linhas baseadas em escalas.

Quando um pianista toca num contexto de solo, ele frequentemente precisa criar seu próprio acompanhamento de linha de baixo, por isso os pianistas também aprendem a formar boas linhas de baixo.

Linhas de Baixo

Há algumas orientações simples que você pode usar para produzir linhas de baixo que soem bem. Primeiro, você geralmente deve tocar a fundamental de um acorde no primeiro tempo desse acorde. O tempo anterior deve estar a uma nota ou um semitom de distância. Por exemplo, se o acorde F7 aparece no tempo "1" de um compasso, então você normalmente toca o Fá nesse tempo. Você geralmente tocaria Mi, Mi Bemol, Sol, ou Sol Bemol no compasso anterior, dependendo do acorde. Se o acorde anterior for um C7, então você pode tocar ou Mi ou Sol, já que eles estão na escala mixolídia associada ao acorde. Ou você pode pensar na escala diminuta semitom-tom ou na escala alterada para o acorde C7 e tocar Mi Bemol ou Sol Bemol. O Sol Bemol também é a fundamental do acorde da dominante a um trítono de distância, que já foi descrito como uma boa substituição, por isso o Sol Bemol é uma escolha particularmente boa. A nota não necessariamente precisa ser justificável no contexto de um acorde; ela pode ser pensada como uma nota de passagem para se chegar ao primeiro tempo (o tempo forte) do compasso seguinte.

Essas duas primeiras orientações resolvem dois tempos de cada acorde. Em algumas músicas, como as músicas baseadas na progressão Rhythm, isso é tudo que há para a maioria dos acordes, assim sua linha de baixo pode ser quase completamente determinada pela progressão harmônica. É claro que você provavelmente vai querer variar suas linhas. Você não é obrigado a tocar a fundamental no primeiro tempo, nem tampouco obrigado a aproximar-se dele com um tom. Lembre-se, essas são somente orientações iniciais.

Se você tiver mais que dois tempos para preencher num acorde específico, uma maneira de preencher os tempos restantes é simplesmente escolher notas de qualquer escala associada em movimentos geralmente de um tom. Por exemplo, se sua progressão harmônica é de C7 para F7, e você já decidiu tocar "Dó, X, X, Sol Bemol" para o acorde C7, então você pode preencher os Xs com Ré e Mi, implicando a escala lídia dominante, ou Si Bemol e Lá Bemol, implicando a escala alterada. Qualquer uma dessas escolhas pode também implicar a escala de tons inteiros. Outro fraseado muito usado seria "Dó, Ré, Mi Bemol, Mi", em que o Mi Bemol é usado como uma nota de passagem entre Ré e o Mi. Você provavelmente vai descobrir outros fraseados que usará muito. Tocar fraseados geralmente é recebido com ressalvas quando se está solando, momento em que se espera que você seja o mais criativo possível. Quando estiver no acompanhamento, entretanto, os fraseados, como aqueles fornecidos para aberturas, podem ser uma maneira eficaz de delinear a harmonia consistentemente. Como baixista, espera-se que você toque virtualmente todos os tempos de cada compasso durante toda a música. É geralmente mais importante ser sólido e confiável do que ser o mais inventivo possível.

Baixo Pedal

A expressão baixo pedal (em inglês, "pedal point"), geralmente abreviada para somente pedal, refere-se a uma linha de baixo que permanece numa nota durante uma mudança harmônica. Certas músicas, como "Naima", de John Coltrane em seu álbum Giant Steps, são escritas com baixo pedal explícito, seja com a notação "Eb pedal" nos quatro primeiros compassos, ou pela notação dos acordes como

          | Dbma7/Eb | Ebm7  | Amaj7#11/Eb Gmaj7#11/Eb | Abmaj7/Eb |.

Quando você vê uma música que pede explicitamente um baixo pedal, é geralmente uma indicação para parar de tocar linhas de baixo e passar a tocar somente notas longas.

Você também pode descobrir suas próprias oportunidades para usar o baixo pedal. Numa progressão ii-V-I, a quinta frequentemente pode ser usada como um baixo pedal. Por exemplo, você pode tocar Sol durante a progressão | Dm7 | G7 | Cmaj7 |, ou somente nos dois primeiros compassos. Durante o acorde Dm7, o Sol no baixo faz o acorde funcionar como um acorde G7sus. A resolução para o acorde G7 tende então a seguir o uso tradicional da música clássica para as suspensões, que sempre se resolvem dessa maneira. Isso também é muito feito em progressões que alternam entre o ii e o V, como em | Dm7 | G7 | Dm7 | G7 | Dm7 | G7 | Dm7 | G7 |.

Contraponto

Scott LaFaro iniciou uma pequena revolução na maneira de tocar jazz no começo dos anos 60 com seu uso do contraponto. Suas linhas de baixo eram quase tão interessantes do ponto de vista rítmico e melódico quanto a melodia ou solo que ele estava acompanhando. Isso pode ser uma distração para alguns solistas, e para algumas plateias, mas muitos acham o efeito interessante.

Uma oportunidade de usar contraponto é em baladas ou músicas com suingue de andamento médio em que a melodia tem notas ou pausas longas. Um dos exemplos mais famosos do contraponto de Scott LaFaro está na versão de "Solar" gravada por Bill Evans, Scott LaFaro, e Paul Motian no álbum Sunday At The Village Vanguard. A melodia é principalmente em semínimas, com semibreves no fim de cada frase. Scott toca notas longas enquanto a melodia está movimentada, e partes movimentadas quando a melodia está parada.

Bob Hurst tem uma abordagem diferente para o contraponto. Em vez de tocar linhas que sustentem sua própria atratividade melódica ou rítmica, ele toca linhas que criam tensão rítmica na interação delas com o compasso. Uma técnica que ele usa com frequência é tocar seis notas contra quatro tempos, ou duas tercinas de semínimas por compasso. Soa como se ele tivesse tocando em três tempos, enquanto o resto da banda está em quatro. Esse tipo de contraponto rítmico é difícil de sustentar por uma duração maior de tempo, e pode confundir músicos inexperientes.

Quando você fizer experiências com contraponto, lembre-se que seu papel geralmente ainda é o de acompanhamento. Sua meta é dar suporte aos músicos que você está acompanhando. Se eles estiverem sendo desbancados pela complexidade resultante da sua maneira de tocar, ou estiverem produzindo bastante tensão rítmicas por conta própria, então pode não ser uma boa usar essa técnica. Você terá que usar seu próprio julgamento para decidir quando a música vai se beneficiar do uso do contraponto.

Outros Padrões de Baixo

As técnicas descritas acima são aplicáveis à maioria dos estilos de jazz. Alguns estilos específicos, entretanto, impõem seus próprios requisitos ao baixista. Uma marcação em dois tempos, ou meio compasso, significa tocar somente nos tempos 1 e 3 num compasso 4/4. Uma marcação em dois tempos é geralmente usada no tema (head) dos standards do jazz. Quando o compasso é 3/4, você pode ou tocar linhas de baixo ou simplesmente tocar no primeiro tempo de cada compasso. Muitos dos estilos do jazz latino usam um esquema simples baseado geralmente na alternação da fundamental e da quinta. A bossa nova usa a fundamental no "1" e a quinta no "3", com uma anacruse de colcheia no "e-do-2" e ou outra anacruse no "e-do-4", ou uma colcheia no "4". O samba é similar, mas é tocado com uma sensação de andamento dobrado, o que significa que ele soa como se o pulso básico tivesse o dobro da velocidade que tem na realidade. A fundamental é tocada no "1" e "3", enquanto a quinta é tocada no "2" e "4", com uma anacruse de semicolcheia antes de cada tempo. O mambo e outros estilos cubanos usam o ritmo "e-do-2, 4". O último tempo é ligado ao "1" do compasso seguinte.

Uma descrição completa de todos os estilos diferentes está além do escopo desta Introdução. Há uns poucos livros que podem ajudar você a construir padrões para diferentes estilos; um deles se chama Essential Styles For The Drummer And Bassist. Por ora, tudo o que posso fazer é repetir o conselho de Clark Terry, "imitar, assimilar, inovar". Ouça quantos estilos diferentes conseguir, e aprenda com aquilo que ouvir.


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