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Uma Introdução à Improvisação no Jazz, de Marc Sabatella - Tradução de Cláudio Brandt

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Bateria

Assim como ocorre com o baixista, um dos papéis do baterista nas formas tradicionais do jazz é tocar uma marcação constante no estilo da música. Por constante, eu quero dizer em relação ao andamento, e não pretendo implicar que você não deva ser criativo e variar seus padrões. Eu não estou habilitado a iluminar bateristas sobre os detalhes de técnicas de bateria, mas posso descrever alguns estilos e padrões básicos, e dar algumas dicas sobre outros aspectos do papel do baterista.

A marcação básica do suingue 4/4 consiste de dois componentes: o padrão do ride (prato de condução) e o padrão do chimbal. O padrão fundamental do ride é o esquema "1, 2 e, 3, 4 e" ou "ding ding-a ding ding-a" tocado no prato de condução com colcheias suingadas. O chimbal é normalmente fechado marcadamente no "2" e "4". É isso que a maioria das baterias eletrônicas (drum machines) tocam quando a opção "swing" é selecionada. Esse padrão é adequado para muitas músicas de jazz, especialmente standards ou músicas de bebop, com andamento médio ou acelerado. Músicas mais lentas, como as baladas, geralmente pedem o uso de vassourinhas na caixa de percussão em vez de baquetas nos pratos como o padrão principal. Há alguns livros que podem ajudar você a formar padrões para outros estilos; um desses livros é Essential Styles For The Drummer And Bassist. O essencial dos estilos que você deve saber tocar estão descritos abaixo.

A marcação básica do shuffle consiste de colcheias no prato de condução e possivelmente na caixa. Os tempos 2 e 4 também são geralmente enfatizados com mais força. O padrão básico de uma valsa de jazz, ou suingue 3/4, consiste de "um, dois e, três" ou "ding ding-a ding" no ride, com o chimbal no "2". Entre outras variações, estão o uso do chimbal no "2" e no "3", ou em todos os três tempos; e o acréscimo da caixa no "e-do-2" ou no "3".

Três formas de jazz latino que você deve estar pronto para tocar são a bossa nova, o samba e o mambo. A essência da maioria das formas do jazz latino é a clave, que é um tipo de fórmula rítmica. A clave básica tem dois compassos, e consiste de "1, e-do-2, 4; 2, 3". Há também uma clave africana ou clave da rumba, em que a terceira nota é tocada no "e-do-4" em vez de no tempo. A bossa nova usa uma variação da clave básica em que a última nota cai no "e-do-3", em vez de no tempo. Esses padrões de clave também podem ser invertidos, trocando-se a ordem dos compassos. A clave é geralmente tocada como batidas na borda da caixa numa bateria tradicional, embora com frequência não seja tocada explicitamente pelo baterista, caso em que um percussionista auxiliar pode tocá-la.

A clave é suplementada por outros padrões em outros tambores. O bumbo pode tocar no "1" e "3" com anacruse de colcheia. O chimbal é fechado no "2" e "4". Outros padrões podem ser tocados num prato ou numa cowbell. Entre os padrões típicos do mambo estão "1, 2, 3, e-do-3, e-do-4; 1, 2, e-do-2, e-do-3, e-do-4" ou "1, 2, 3, e-do-3; 1, e-do-1, e-do-2, e-do-3, 4". Um padrão simples que consiste de "2, 4, e-do-4" é tocado na borda da caixa e no tom-tom acoplado em vez de uma clave. Numa bossa nova pode-se usar um padrão que consiste de colcheias sem suingue no prato de condução. O samba tem uma sensação de andamento dobrado. O padrão do prato é geralmente com colcheias sem suingue, e é geralmente tocado num chimbal fechado. A caixa pode ser simplesmente tocada no "4" em vez de se tocar a clave.

Certas composições, como "The Sidewinder", de Lee Morgan, ou "Sister Cheryl", de Tony Williams, têm padrões de bateria únicos, que são indelevelmente associados com uma música específica. Ouvir gravações de uma música a ser tocada antes de tentar tocá-la é provavelmente mais útil aos bateristas do que a qualquer outro músico, já que os fakebooks geralmente não fornecem muitas dicas para o baterista.

Um bom baterista não vai simplesmente tocar o mesmo padrão sem parar durante toda uma música. Uma coisa que você pode fazer é variar o padrão, talvez tocando somente colcheias no prato de condução, ou variando ocasionalmente o ritmo para "ding-a ding ding-a ding". Ou você pode tocar o chimbal em cada pulso. Você também pode usar outros tambores, como os tom-tons, como parte de seu pulso básico para uma música. Tony Williams é um mestre em variar seus padrões dessa maneira.

Frequentemente, um baterista toca um pulso binário simples durante a apresentação inicial do tema ("head"), e troca para semínimas sem suingue durante os solos. Uma das maneiras mais fáceis de mudar a sensação rítmica de uma música é simplesmente trocar os pratos para o padrão de ride, quando por exemplo há uma troca de solista, ou para marcar a ponte de uma música. Marcar a forma de uma música é um outro papel importante do baterista. A maioria das formas típicas de músicas têm frases de 4 ou 8 compassos. Ao final de cada frase, o baterista geralmente toca padrões ou viradas mais complexos para conduzir até a frase seguinte. Outra tática é mudar o pulso básico de frase para frase. Como baterista, você deve estar sempre ciente da forma da música, e saber onde estão os breaks, introduções especiais ou codas. Você deve ser capaz de cantar a melodia para si mesmo durante os solos se necessário, de modo que consiga delinear a forma para o solista. Isso vai ajudar o solista a manter seu lugar, ao permitir que ele reconheça quando você chegou à ponte, por exemplo. Além disso, o solista geralmente estrutura suas próprias frases seguindo as linhas da forma original. Ao aderir a essa forma, o baterista vai geralmente estar dando suporte ao desenvolvimento das ideias do solista. Art Blakey é um mestre em tocar a forma e dar suporte aos solista desta maneira.

Durante um solo, um instrumentista pode deixar pausas intencionais em suas frases. Assim como ocorre com o pianista e o baixista, o baterista deve decidir se preenche esses espaços com algum tipo de frase de resposta ou contrarritmo. Bateristas também podem criar tensão por meio do uso da polirritmia, que são dois ou mais ritmos sobrepostos; por exemplo, 3 contra 4. Um baterista pode, ou tentar tocar dois ritmos diferentes ele próprio, ou trabalhar com o baixista ou outro músico do acompanhamento, ou com o solista, para criar uma polirritmia entre eles. Do mesmo modo que acontece com o uso do contraponto em linhas de baixo, entretanto, você precisa equilibrar o desejo de variação rítmica com a compreensão de que o resultado pode ser um entulho ou o caos se você for longe demais.

Como todos dependem do baterista para manter o andamento preciso, a estabilidade rítmica é essencial. Entretanto, o interesse rítmico da parte da bateria também é importante, e é vital durante solos de bateria. E percussão também não é só ritmo. Como um baterista, você não pode tocar linhas que sejam interessantes num sentido melódico ou harmônico tradicional, mas pode variar o timbre de suas linhas tocando com tambores e pratos de alturas e timbres diferentes. Você deve pensar melodicamente quando toca bateria.


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