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Uma Introdução à Improvisação no Jazz, de Marc Sabatella - Tradução de Cláudio Brandt

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©2007

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Poliacordes e
Aberturas de Estrutura Superior

O poliacorde é um tipo de abertura (ou voicing) cuja base é tocar dois acordes diferentes ao mesmo tempo, como por exemplo um na mão esquerda e um na mão direita no piano. A relação entre os dois acordes determina a qualidade do acorde resultante. Essas aberturas são sempre para duas mãos no piano, ou aberturas de cinco ou seis notas no violão. Elas produzem um som muito rico e complexo, se comparadas às aberturas apresentadas até aqui.

O estilo mais simples da abertura do tipo poliacorde é tocar duas tríades; por exemplo, uma tríade Dó Maior na mão esquerda do piano, e uma tríade Ré Maior na mão direita. Isso terá como notação D/C. Essa notação tem mais de um significado, já que ela geralmente é interpretada como querendo dizer uma tríade de Ré sobre uma nota Dó no baixo; nem sempre fica claro quando uma abertura poliacorde é desejada. Os poliacordes raramente são pedidos explicitamente na música escrita, por isso não existe maneira padrão de grafá-los. Geralmente você precisa descobrir suas próprias oportunidades para tocar aberturas do tipo poliacorde.

Se você pegar todas as notas nessa abertura D/C e enfileirá-las, verá que isso descreve ou uma escala Dó Lídia ou uma escala Dó Lídia Dominante. Por isso, essa abertura pode ser usada sobre qualquer acorde para os quais essas escalas sejam apropriadas. Se você tentar outras tríades sobre uma tríade Dó Maior, vai descobrir várias combinações que soam boas e descrevem escalas bem conhecidas. Entretanto, muitas dessas combinações envolvem notas repetidas, que podem ser evitadas conforme descrito abaixo. Entre os poliacordes que não envolvem notas repetidas estão Gb/C, que produz uma escala Dó Diminuta Semitom-Tom, a Bb/C, que gera uma escala Dó Mixolídia, a Dm/C, que gera uma escala Dó Maior ou Dó Mixolídia, a Ebm/C, que gera uma escala Dó Diminuta ST, a F#m/C, que também produz uma escala Dó Diminuta, e a Bm/C, que gera uma escala Dó Lídia. Esses poliacordes podem ser usados como aberturas para quaisquer acordes que se encaixem nas respectivas escalas.

Você pode ter observado que Db/C, Abm/C, Bbm/C, e B/C também não envolvem notas repetidas e soam muito interessantes, embora elas não descrevam obviamente nenhuma escala padrão. Não existem regras sobre quando essas combinações de acordes podem ser tocadas como aberturas. Quando seu ouvido fica acostumado com as nuanças e dissonâncias particulares de cada uma, você pode encontrar situações em que poderá usá-las. Por exemplo, o último poliacorde listado, B/C, soa bem quando usado como um substituto para o Cmaj7, particularmente no contexto de uma progressão ii-V-I, e especialmente no final de uma música. Você pode resolvê-la num abertura normal de Cmaj7 se quiser.

Você pode montar poliacordes com uma tríade menor embaixo. Db/Cm produz uma escala Dó Frígia; F/Cm gera uma escala Dó Dórica; Fm/Cm produz uma escala Dó Menor; A/Cm produz uma escala diminuta ST; Bb/Cm produz uma escala Dó Dórica; e Bbm/Cm produz uma escala Dó Frígia. Além disso, D/Cm gera uma escala interessante com sonoridade de blues.

Eu mencionei antes o desejo de evitar notas repetidas. Uma maneira de montar poliacordes que evita notas repetidas é substituir a tríade de baixo com, ou a terça e a sétima, ou a fundamental e a sétima, ou a fundamental e a terça de um acorde dominante. Aberturas montadas dessa maneira também são chamadas de acordes de estrutura superior. Elas sempre implicam algum tipo de acorde dominante.

Por exemplo, há várias estruturas superiores de C7. Uma tríade Dbm sobre "Dó, Si Bemol" gera um acorde C7b9#5. Uma tríade D sobre "Mi, Si Bemol" gera um acorde C7#11. Uma tríade Eb sobre "Dó, Mi" gera um acorde C7#9. Uma tríade F# sobre "Dó, Mi" gera um acorde C7b9b5. Uma tríade F#m sobre "Mi, Si Bemol" gera um acorde C7b9b5. Uma tríade Ab sobre "Mi, Si Bemol" gera um acorde C7#9#5. Uma tríade A sobre "Dó, Si Bemol" gera um acorde C7b9.

Você vai notar que precisa de muita prática para se tornar familiarizado o bastante com essas aberturas a ponto de poder tocá-las no ato. Talvez seja preferível escolher algumas músicas e planejar com antecedência onde você usará essas aberturas. O esforço bem que vale a pena. A riqueza e variedade dessas aberturas podem adicionar muito ao seu vocabulário harmônico.


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